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Direito de Família · 2026

Pensão alimentícia atrasada: como calcular juros e correção

O valor da parcela que venceu há oito meses não é o mesmo número de hoje — a inflação e os juros de mora mudam a conta. Veja o índice certo, como aplicar os juros e o prazo que existe pra cobrar antes de perder o direito.

Resposta rápida

Para calcular a pensão alimentícia atrasada, aplique correção monetária (em geral INPC, podendo ser IPCA-E ou IGP-M conforme o título) sobre cada parcela desde o vencimento, e acrescente juros de mora de 1% ao mês, proporcionais ao tempo de atraso. A cobrança tem prazo de 2 anos por parcela — passado esse prazo, aquela parcela específica normalmente não pode mais ser exigida. O não pagamento pode levar à execução de alimentos, com risco de prisão civil para as 3 últimas parcelas.

Quem recebe pensão em atraso costuma pensar no problema errado: "quanto ele me deve" em vez de "quanto ele me deve hoje". Uma parcela de R$ 800 vencida há 10 meses não vale R$ 800 na hora de cobrar — vale mais, porque a inflação corroeu o poder de compra daquele valor e a lei prevê juros pelo atraso. Ignorar essa diferença é abrir mão de dinheiro que é seu por direito.

01Os dois componentes da dívida atualizada

Toda pensão atrasada tem dois acréscimos, aplicados em sequência:

  • Correção monetária — repõe o poder de compra perdido pela inflação. Não é "lucro" de quem recebe; é o mesmo valor real de antes.
  • Juros de mora — 1% ao mês, a penalidade legal por atrasar o pagamento.

A ordem importa: primeiro corrige, depois aplica o juro sobre o valor já corrigido — nunca os dois juntos sobre o valor original.

02Qual índice usar

A jurisprudência majoritária do STJ adota o INPC como índice padrão para pensão alimentícia, por medir melhor a inflação de quem depende desse valor para necessidades básicas. Mas o índice correto é sempre o que está escrito no título executivo — o acordo homologado ou a sentença. Se o documento não especifica, prevalece o entendimento do INPC; se especifica IPCA-E ou IGP-M, é esse que vale.

Índices usados em pensão alimentícia atrasada. Aplicar sempre o que consta no título — acordo ou sentença.
ÍndiceQuando é usado
INPCPadrão adotado pelo STJ quando o título não especifica
IPCA-EQuando definido no acordo ou na sentença
IGP-MMenos comum hoje; usado se constar no título

03Exemplo de cálculo

Exemplo · parcela de R$ 800 atrasada 10 meses Parcela de R$ 800, vencida há 10 meses Valor original R$ 800 Corrigido (INPC ~6%) R$ 848 Juros de mora (1%/mês × 10) +R$ 85 Total devido hoje ≈ R$ 933
Cálculo ilustrativo. O índice real do período e a data exata de cada parcela mudam o valor final.

Note que só essa parcela, sozinha, já "cresceu" quase 17% em 10 meses de atraso. Numa pensão com várias parcelas acumuladas — o cenário mais comum quando a cobrança demora — a diferença entre o valor nominal e o valor corrigido pode passar de um salário mínimo inteiro.

Erro comum Somar todas as parcelas em atraso e aplicar juros de mora sobre o total acumulado de uma vez. O certo é calcular parcela por parcela, porque cada uma venceu numa data diferente e acumulou um tempo de atraso diferente — juntar tudo distorce o valor final, geralmente pra baixo.

04O prazo que existe pra cobrar

A pretensão de cobrar cada prestação alimentícia prescreve em 2 anos, contados do vencimento daquela parcela específica — não da última parcela paga, nem da separação. Isso significa que parcelas que já passaram de 2 anos, em regra, não podem mais ser cobradas judicialmente. Quanto mais cedo a cobrança for feita, mais parcelas ficam dentro do prazo.

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O Goothy Law aplica os índices oficiais (INPC, IPCA-E, IGP-M) e os juros de mora automaticamente, parcela por parcela, e entrega a memória de cálculo pronta pra juntar ao processo.

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05O que acontece se não pagar

Quem não paga pensão alimentícia está sujeito à execução de alimentos. Para as 3 últimas parcelas em atraso, o rito do art. 528 do CPC admite prisão civil de até 3 meses — é o mecanismo mais rápido e mais usado justamente por essa força coercitiva. Para as parcelas mais antigas, a cobrança segue pelo rito de penhora de bens, valores em conta e, quando aplicável, inscrição em cadastros de inadimplentes.

Aviso honesto Conteúdo informativo, não é parecer nem cálculo oficial. O índice aplicável e o rito de cobrança dependem do que consta no acordo ou na sentença — em caso de dúvida, procure um advogado de família.

Perguntas frequentes

Como calcular a pensão alimentícia atrasada?

Aplique correção monetária (em geral INPC) desde o vencimento de cada parcela, e acrescente juros de mora de 1% ao mês, proporcionais ao tempo de atraso. Some o resultado das parcelas ainda dentro do prazo de prescrição.

Qual índice corrige a pensão alimentícia atrasada?

O STJ adota majoritariamente o INPC quando o título não especifica outro índice. Se o acordo ou a sentença determinarem IPCA-E ou IGP-M, é esse índice que vale.

Qual o juro de mora sobre pensão atrasada?

1% ao mês, calculado sobre o valor já corrigido e proporcional ao tempo de atraso de cada parcela.

Pensão alimentícia atrasada prescreve?

Sim, em 2 anos por parcela, contados do vencimento de cada uma. Parcelas mais antigas que 2 anos, em regra, não podem mais ser cobradas.

O que acontece se não pagar a pensão?

Cabe execução de alimentos: prisão civil de até 3 meses para as 3 últimas parcelas, ou penhora de bens e valores para as parcelas mais antigas.

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Equipe Goothy Law

Escrevemos sobre cálculo de verbas e atualização de débitos judiciais com base nas fontes oficiais — CLT, TST, STJ, CPC e IBGE. O Goothy Law é a calculadora que corrige valores judiciais e gera a memória de cálculo.